história 1.
mesmo depois de tanto tempo juntos, ele ainda tinha aquele mesmo sorriso cativante do início. as rugas, nada tímidas, não pareciam incomodar aquele que ela ainda chamava de menino. mas pra ela pesavam. ela sabia cada choro e cada sorriso que as tinham formado. os filhos vieram, quase todos por acidente do destino. três. de vez em quando trocava os nomes. eram crianças adoráveis e que viviam de beijos e abraços com ela. todos adultos, seguiram seus caminhos e deixaram a árvore mãe de lado. quem disse que os frutos não caem longe do pé era um grande filho da puta. na sua época os pais tinham importância. agora só ligam em aniversários. os netos, lembrava de ter visto umas vezes, quase sempre no natal. ela lembrava que na sua época, a adoração pelos seus avós deveria ser tão grande quanto a dos pais. mas os seus netos, só abraçavam quando os pais faziam cara feia. e eles mesmo não faziam muita questão. escondidos, seus filhos diziam: ”não aborreça sua avó, não quero que ela morra achando que vocês não gostam dela. então abracem logo pra gente ir embora!” respirou fundo e sentou no sofá. ligou no faustão. cochilou.
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