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"numa aula de trabalhos práticos de física, qualquer aluno pode fazer uma experiência para confirmar uma dada hipótese científica. mas o homem, porque só tem uma vida, não tem qualquer possibilidade de verificar as hipóteses através da experiência e nunca poderá saber se teve ou não razão em obedecer aos seus sentimentos." - a insustentável leveza do ser, de milan kundera.
eu estive pensando muito sobre isso de saber se fez o que fez no momento certo ou não. mas até que se faça uma máquina, à um preço acessível, que possa voltar no tempo e desfazer coisas, a gente tem que conviver com a voz lá dentro da nossa cabeça que martela dizendo que deveríamos manter a boca fechada.
ok, vocês não são obrigados a entender. e se entendessem até teria medo, porque só duas pessoas sabem, de fato, do que eu estou falando.
aí em meio a esses pensamentos, e ao mal humor da minha mãe sem motivo aparente, e à insônia que me incomodou ontem, e às lágrimas derramadas por grey's anatomy que ainda me fará infartar e ao livro que me fez pensar demais nas coisas... preciso de alguma coisa que esvazie a minha mente.
mas o que eu estou fazendo? sendo racional em pleno carnaval?
que pecaaado, meo deos! ser um ser pensante e não um ser pulante?
deveria ser presa, com certeza!
o que me aconteceu me lembra demais o episódio do day after do george ter dormido com a meredith, em ga. o episódio, aliás, que ele começa e termina narrando. pra quem não viu, colarei a quote:
okay, so, sometimes even the best of us make rash decisions. bad decisions. decisions we pretty much know we're going to regret the moment, the minute, especially the morning after. i mean, maybe not regret, regret because at least, you know, we put ourselves out there. but...still. something inside us decides to do a crazy thing. a thing we know will probably turn around and bite us in the ass. yet, we do it anyway. what i'm saying is...we reap what we sow. what comes around goes around. it's karma and, any way you slice it...karma sucks.
porque eu falo demais? ou melhor, porque eu me importo com o que eu falo, e não deixo as coisas acontecerem normal, mesmo depois de duas palavrinhas ditas a mais?
ô cú, viu?
mesmo depois de tanto tempo juntos, ele ainda tinha aquele mesmo sorriso cativante do início. as rugas, nada tímidas, não pareciam incomodar aquele que ela ainda chamava de menino. mas pra ela pesavam. ela sabia cada choro e cada sorriso que as tinham formado. os filhos vieram, quase todos por acidente do destino. três. de vez em quando trocava os nomes. eram crianças adoráveis e que viviam de beijos e abraços com ela. todos adultos, seguiram seus caminhos e deixaram a árvore mãe de lado. quem disse que os frutos não caem longe do pé era um grande filho da puta. na sua época os pais tinham importância. agora só ligam em aniversários. os netos, lembrava de ter visto umas vezes, quase sempre no natal. ela lembrava que na sua época, a adoração pelos seus avós deveria ser tão grande quanto a dos pais. mas os seus netos, só abraçavam quando os pais faziam cara feia. e eles mesmo não faziam muita questão. escondidos, seus filhos diziam: ”não aborreça sua avó, não quero que ela morra achando que vocês não gostam dela. então abracem logo pra gente ir embora!” respirou fundo e sentou no sofá. ligou no faustão. cochilou.